Naqueles dias, em que tomava banho de bacia e brincava com meus patinhos de borracha, jamais sonharia ser um deles. Mas ai, um belo dia, aos seus trinta e poucos anos do segundo milênio - nasci no milênio passado; Aff! - cai um raio na sua cabeça e "plin!" você resolve todos os seus problemas relembrando daquela bacia e do patinho; antes tão subjugado, apenas um brinquedo; um pato de borracha.Eu sou um pato! Eu sou um pato? era de se pensar na possibilidade; Ora, um pato; que mau há nisto? Ser um pato requer habilidades, cognição profunda e focada; afinal, essa coisa toda de ser pato deve dar um trabalho pra quem não é... Imagina se um lobo ou uma ovelha vão ficar perdendo tempo em tentar ser um mero "pato".
Comecei a pensar nos prós e contras: Veja só os patos vivem em bandos, a chamada "patota". Nesses bandos, sempre tem um pato mais pintoso e outros que sequer vão ter a chance de ser pintados. Opa; mas eu não tenho patota..... Ah! deixa prá lá, continuando... os patos estão em alta; veja que a moda agora é peito de pato... passando longe; comentário infeliz; melhor mudar de patamar. Vamos falar agora sobre a psique do pato. O pato é um animal dócil, mas tome cuidado, ele não avisa quando resolve avançar, vai de 0 a 100 em menos tempo do que se imagina.
Sob aspectos simplificados, o fim do pato pode ser digno ou cruel.
Possíveis fins dignos: Ser escolhido para representar o cisne no remake do Clássico "O Patinho Feio"; ser convidado ilustre para o camarote do PatoFu; ser tema da mangueira no próximo enredo de Carnaval; Protagonista do sitio do picapau amarelo, ANDAR NÚ POR AI (patos não usam roupas), ser um dos possíveis herdeiros do tio Patinhas, nossa, ser pato tem seu lado bom!
Possíveis fins cruéis: Sair na revista Globo Rural como a cultura da vez; ser confundido com a galinha ou o peru de natal na época do abate destes; puxa, ser pato dá um trabalhão...
Ao me tornar um pato, assumo aqui total e irrestrita condição de ser um animal irracional.
Esse papo de pato tem que acabar, portanto, vai de brinde uma fábula copiada e colada de outro blog; é a FÁBULA DO PATO QUE SE CHAMAVA PATO Carlos Alberto Correa Filho
Era uma vez um pato, mas não um pato comum, este é diferente justamente pela sua sabedoria, que nunca antes foi vista em nenhum outro morador da granja, e que o tornava famoso por seus conselhos e também liderança em influência sob os outros, inclusive os humanos que ali residiam. Eis que uma vez, dada a fama de nosso amigo, foi visitado por uma grande comitiva estrangeira, composta por grandes sábios e cientistas.
Nesse tempo, o saber puro ainda não havia sido tomado pelos humanos, e os animais eram quem detinham esse dom. A comitiva era formada por ratos, considerados os mais sábios da terra, e os mais astutos também; por elefantes, pela sua proeza nos campos da memória e da física; macacos, os químicos mais astutos e curiosos do reino animal’e as cobras, pois elas eram invejosas e acabaram se escondendo durante os preparativos para essa grande viagem.
O pato, que se chamava Pato, ficou muito triste, pois dentre os maiores sábios da terra, não havia nenhum parente seu, mesmo que ganso ou marreco fosse, e isso fez com que fosse duro e cruel durante todo o encontro. -
Quack! O que os traz para o meu reino, quack? Pois disse em pé na porta da granja, uma vez que nem quis esperar as formalidades todas da ocasião.
- Ó nobre sábio! Nós que não sabemos mais do que uma ou outra coisa, viemos implorar seu conselho. - Pois diga, aqui mesmo, para sermos práticos. E com essa resposta tinha oficialmente sido rude com os convidados e sem saber que aquele ato passaria a ser um dos dois únicos erros de toda sua vida. E o representante dos ratos então lhe contou que os feriados estavam chegando, e isso causava grande perda e dor na floresta, já que os humanos iam até lá para caçar, e assim prepararem suas ceias. Contou também que era o momento de algum tipo de revanche, que mostrasse a todos que os animais governavam o mundo, que deveriam se ocupar em se alimentarem dos frutos e ervas, como faziam no passado… E o pato ouviu todas aquelas histórias com certa impaciência, já que para ele isso não era o tipo de coisa que cabia a si decidir, mas cada lugar, cada granja é que deveria buscar sua solução, e mandou a comitiva embora.
Passados muitos meses dessa reunião, estavam todos os animais por lá sem ter nada melhor para fazer quando o dono apareceu com seu machado em punho no meio deles, parecia apreensivo. Olhou e procurou por certo tempo até que depois de pensar bastante, disse: - Vou escolher para o almoço aquele que estiver mais suculento, hoje vou comer como um rei! E dentre todos os porcos, galinhas, e patos da granja, escolheu bem nosso amigo Pato, que justamente pelos seus afazeres intelectuais, tinha deixado de lado suas tarefas e os botões do seu paletó já não fechavam mais.
Dos animais que foram àquela reunião, conseguiram um bom acordo com seus donos, que agora passam por uma boa dieta.
Moral da estória: Toda a capacidade do mundo, a maior inteligência, pode nos fazer cegos às necessidades de quem realmente precisa, ficamos gordos e preguiçosos. E quando mais precisamos daqueles a quem rejeitamos, talvez seja tarde demais e estaremos na barriga de alguém.
2 comentários:
Olá!
Obrigado por publicar meu conto do pato... Só faltou o link, não é?
Pois é, muito interessante este conto... Li ele no site Vivendo Cidade e também gostei muito! :D
Além disso, seus comentários deram uma perspectiva mais hilariante e divertida ao conto.
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